O que mudou nas referências profissionais?
O posicionamento do CFP de julho de 2025 e o guia sobre IA publicado pelo Conselho reconhecem possibilidades de apoio e discutem riscos à autonomia, ao sigilo e à qualidade do trabalho. São orientações para analisar usos concretos; não certificam fornecedores nem transformam qualquer resposta de IA em informação psicológica válida.
Para serviços mediados por tecnologias digitais, a referência atual é a Resolução CFP 9/2024, que revogou as Resoluções 11/2018 e 4/2020. Também continuam relevantes as regras sobre registros, documentos e avaliação psicológica. Uma ferramenta nova não suspende essas responsabilidades.
Como delimitar uma tarefa aceitável?
Descreva o resultado esperado em uma frase, sem citar marcas: organizar referências abertas, revisar a clareza de um comunicado ou preparar perguntas para um seminário. Depois identifique a informação necessária. Se a finalidade pode ser cumprida com documentos públicos e exemplos inventados, não há motivo para incluir conteúdo de atendimento.
| Tarefa em análise | Conferência necessária | Limite |
|---|---|---|
| Resumir uma norma pública | Comparar artigo por artigo com o texto vigente | O resumo não substitui a norma |
| Revisar um aviso de funcionamento | Conferir clareza, acessibilidade e informações reais | Não inventar serviços ou credenciais |
| Transcrever atendimento | Examinar consentimento, necessidade, fluxo de dados e fidelidade | Não iniciar como simples teste de produtividade |
| Interpretar teste psicológico | Consultar manual, condições aprovadas e SATEPSI | Uma resposta de LLM não cria uma modalidade válida de aplicação ou interpretação |
Um roteiro em seis decisões
- Finalidade: qual problema concreto será resolvido e como saber se o resultado é útil?
- Dados: quais informações entram, quem pode acessá-las e por quanto tempo permanecem?
- Evidência: que fonte sustenta a tarefa e que teste pode revelar erros antes de qualquer uso real?
- Participação da pessoa: como explicar o uso, suas consequências, a possibilidade de recusa e alternativas? O guia do CFP aborda consentimento informado, sem prejuízo pelo exercício da recusa.
- Responsabilidade: quem compara o resultado com a fonte e decide se deve utilizá-lo? Aprovação automática ou leitura superficial não resolve esse ponto.
- Interrupção: que ocorrência exige suspender o uso, corrigir o registro ou reavaliar o fornecedor?
Condições comerciais como “plano empresarial” ou “não usamos seus dados para treinamento” respondem apenas a parte das perguntas. A LGPD exige analisar finalidade, necessidade, segurança, direitos e a hipótese legal pertinente. Dados de saúde têm regime de dados sensíveis; a escolha de uma assinatura não constitui base legal.
Exemplo hipotético: preparar uma reunião de estudo
Uma equipe deseja discutir a Resolução CFP 9/2024. Ela fornece apenas o texto público e pede um quadro de mudanças em relação à norma anterior. Uma integrante confere a vigência, outra procura omissões e ambas registram as passagens originais que sustentam o quadro. O material final indica a data de consulta e mantém o link oficial. Não há prontuários ou histórias de pessoas atendidas nesse exercício.
Se o sistema inventar uma exigência de cadastro ou omitir uma condição importante, o erro se torna um critério de reprovação daquela saída. A equipe pode corrigir o material e rever seu método; não precisa justificar a ferramenta pelo tempo que já investiu nela.
Como revisar a política de uso?
Mantenha uma lista curta de tarefas autorizadas, responsáveis, fontes de conferência e situações que exigem nova análise. Mudança de fornecedor, termos, finalidade ou tipo de dado pede revisão. Para tarefas clínicas, avalie também se o profissional consegue explicar e sustentar o conteúdo sem depender da autoridade aparente do sistema.
Ferramenta de planejamento
Ficha de decisão por finalidade
Examine uma tarefa fictícia ou um material público antes de escolher uma ferramenta.
Use apenas informações públicas ou situações fictícias. Não insira nomes, prontuários, respostas a testes ou outros dados pessoais. O site não salva nem envia o preenchimento automaticamente. Use o botão Limpar para apagar os campos; o navegador pode preservar informações durante a navegação. A cópia e o arquivo baixado ficam sob seus cuidados.
Como aprofundar o estudo?
No curso Letramento em IA para executivos, adapte o cartão de evidências à primeira linha da ficha: registre afirmação, fonte, premissa, incerteza e responsável. O exercício ajuda a separar texto convincente de conclusão verificável; não valida aplicações clínicas.
O recurso educacional é complementar. Um eventual certificado não equivale a pós-graduação nem concede título profissional; as fontes técnicas e normas desta página devem orientar a conferência dos fatos.
Fontes e escopo da revisão
Fontes consultadas em 6 de outubro de 2026. Revisão editorial de conteúdo educativo; não representa avaliação clínica individual nem revisão pessoal atribuída a profissional de saúde.
Perguntas frequentes
Uma ferramenta paga é automaticamente adequada para a clínica?
Não. Contrato, finalidade, dados tratados, medidas de segurança e evidência precisam ser analisados. A assinatura não equivale a aprovação profissional ou regulatória.
Consentimento resolve todas as exigências?
Não. A pessoa precisa compreender o uso, mas o profissional também deve examinar necessidade, segurança, regras profissionais e a hipótese legal aplicável ao tratamento.
É possível estudar IA sem usar informações de pacientes?
Sim. Normas públicas, bibliografia aberta, comunicados fictícios e exemplos inventados permitem avaliar erros e criar critérios de conferência.